terça-feira, 12 de julho de 2011

COMO VAI A NOSSA ESPIRITUALIDADE ?

Em mais de uma oportunidade, fiz menção do rumo que o mundo está tomando, especificamente, com relação a "espiritualidade" do ser humano. É muito danoso até pra quem aborda o tema - mexe com as estruturas de cada um de nós - meros humanos. A espiritualidade está para o homem, assim como o homem está para a vida - parece simples; não o é! O homem nasce, fruto de um encontro de duas pessoas de sexos diferentes, não poderia ser de outra forma - poderíamos em escala bem menor, oferecer algumas nunces em torno do assunto, que não é algo que um simples lacaio das palavras, possa enveredar por caminhos amorfos, desentrosados e com pouca ou nenhuma visualização. É preciso temperança para inserir certas abordagens e, é a diversificação de leituras, ao longo dos anos, para consubstanciar-se de elementos, enriquecendo em detalhes o que queremos transmitir,
O entrevistado de Veja do último domingo, tem uma coluna na Folha de São Paulo e acaba de lançar "O Catolicismo Hoje"(Benvira), que ainda não li, parece-nos que o entrevista, Luiz Felipe Pondé, dispõe  de muita facilidade para relatar o seu pensamento e, como citou Jeronimo Teixeira, que o entrevistou. Gostei muito pela maneira com que aborda o assunto, atacando com sutilezas, o "esnobismo hipócrita" dos chamados "jantares inteligentes", claro que de uma sociedade que se julga superior, por ter alcançado um outro patamar na escala social, evidentemente também sem atropelos financeiros dos pobres mortais, que precisam trabalhar arduamente para buscar o seu espaço na escala social da vida. Achei interessantíssimo, comentar que o cristianismo é moralmente superior à pregação materialista; também sem sussurrar, é enfático e diz que critica a dominância burra que a esquerda assumiu sobre a cultura brasileira - o que me deixou muito mais tranquilo nas minhas concepções acerca do momento em que o Brasil atravessa. Chega também a ser Hilário, o comentário sobre o comportamento da classe média intelectualizada, mais ainda quando menciona "os jantares inteligentes", onde os comensais, entre uma e outra taça de vinho, mencionando "chileno", se cumprimentam mutuamente por uma consciência social - é esplêndido! Se diz um estudioso de teologia, sem seguir nenhuma religião em particular, mas que sabe valorizar a troca de ideias, como um "pensador". Não me intrigou quando rechaça que a "esquerda não tem a tensão do pecado, ela é pior do que o cristianismo". - muito boa a sacada.
Com muita elegância citou que "os problemas amorosos de hoje são os mesmos, mas, no jantar inteligente, todo mundo diz que vive uma relação de troca plena com o seu parceiro. A revolução sexual foi um dos maiores engodo da história recente". Em um dos trechos, quando a abordagem é sobre o tabu, afirma que hoje seria um escândalo dizer que as mulheres emancipadas e donas de seu nariz estão mesmo é loucas de solidão, o que nos faz lembrar inúmeros casos recentes, sem citação de nomes, de mulheres bem posicionadas e inteligentes, perdidas nessa imensidão da falta do amor verdadeiro. Fez ainda uma brilhante abordagem dos anos de ditadura, citando que não havia lugar para um pensamento alternativo nem na hora do sobremesa. Quando acabou a ditadura, a esquerda tomou conta das universidades e institutos culturais, com cartazes anunciando ciclo de palestras sobre o pensamento de Trotsky, não se vendo cartazes anunciando conferência sobre a crítica à Revolução Francesa de Edmund Burke, filósofo irlandês. Não há, disse, pensamentos alternativos à tradição de Rousseau, de Hegel e de Marx. Abordou, sem muita importância, a Revolução Cubana, citando Che Guevara, sem muita eloquência e julgamento. Perguntado se acreditava em Deus, respondeu sem titubear, Sim. E completou dizendo que já foi ateu por muito tempo, complementando que acredita em Deus, por achar que essa é uma das hipóteses mais elegantes em relação a origem do Universo. Numa outra passagem da entrevista diz que "na teologia cristã, ninguém pode dizer-se santo. O santo reconhece o mal em si mesmo. O clero da esquerda, ao contrário, é movido por um sentimento de pureza: porco é sempre o outro, o capitalista, o burguês,", finaliza dizendo que tem a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.(adalberto gazio/ajotage)

2 comentários:

Natalia Gazio disse...

Gostei muito, Sogrão!

Poluição e despoluição disse...

Gazio, muito bom! Perfeita a colocação de que 'o porco é sempre o outro'. Acho que o excesso de religiosidade superficial causa mesmo essa insensatez, essa dureza de olhar e a soberba que Jesus atacou quando disse: tira primeiro a trave do teu olho antes de reclamar do cisco no olho do outro". Acho que meu julgamento a seguir incorre no mesmo pecado mas digo que tenho parentes profundamente mergulhados na Igreja e que são de uma dureza às vezes cruel. Paradoxo ou conseqüência? Aa pessoa se policia tanto, faz tanto sacrifício, que passa a se sentir no direito de exigir dos outros (com um sentimento de uma certa 'superioridade') os sacrifícios mais pesados. É medieval mas continua atual.