sexta-feira, 21 de agosto de 2009

RIO PRETO, PARAPEÚNA E PENTAGNA

Recentemente fiz um referência a uma das coisas que mais gosto na vida: Viajar. Viajar para qualquer lugar, não importa para onde - pergunto-me será isso uma obsessão em querer ir para algum lugar desconhecido ou não? Realmente ainda não encontrei respostas que me satisfizessem ao meu próprio questionamento. Esse parágrafo tem e não tem haver com o título.
Saí bem cedinho do Rio de Janeiro com destino à Petrópolis, cidade serrano a menos de 100 quilometros do Rio, e lá não resolvendo o que causou a minha ida, continuei até Areal, alguns quilometros adiante, fronteira com Minas Gerais e, por acaso, também nada resolvido. Trocando em miúdos, fui parar em Juiz de Fora, MG e lá, infelizmente, nada ficou resolvido. Só me restava o retorno ao Rio e, pensei: acho que voltarei, por uma estrada que partindo de Br-040 vai dar em Rio Preto/Parapeúna, que ficam a poucos quilometros de Pentagna, pertencente ao município de Valença. E toquei pro caminho pensado, apesar da noite ter começado e o meu conhecimento do trajeto era pequeno, pois atravessaria lugarejos quase despovoados e com recursos escassos, inclusive, sem postos de combustível e oficinas para atendimento de um defeito ou mesmo falha no automóvel, o que graças à Deus, não ocorreu. Segui e depois de parar um lugarejo chamado Monte Verde, para assistir ao Jornal Nacional e ao jogo de futebol entre o Fluminense x São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro, segui rumo à Rio Preto,MG, lá chegando por volta de uma hora da manhã, do dia seguinte. A cidade estava completamente às "moscas" - não havia ninguém nas ruas. Deparei-me com um hotel no centro, próximo a Igreja principal da cidade, fui até a porta principal e toquei uma campainha e esperei pelo menos uns cinco minutos e nada. Ninguém atendeu. Já cansado de dirigir, dei uma volta pelas poucas ruas e praça existentes e ninguém à vista. Segui em frente, atravessei a ponte de um rio que é a divisória entre Rio Preto,MG e Parapeúna,RJ e ao fazê-lo, deparei-me de imediato com um grupo de jovens que bebericavam em frente a um modesto barzinho. Cheguei próximo e um deles, após a minha indagação, indicou-me a Pousada Bela Vista, que ficava em Rio Preto, num dos pontos mais altos da cidade. Lá dormi e pela manhã, segui rumo ao destino de volta - parei em Pentagna, lugar já mencionado, que me trouxe a lembrança da minha infância, quando acompanhado de meu pai e minha mãe, íamos para a Colónia de Férias dos fun cionários do Estado do Rio de Janeiro, da qual, meu pai fazia parte, tendo ainda como fundador o meu tio-avô Aprigio Lopes Gazio. Entrei na Colônia e tentei falar com o Gerente da Colónia de Férias, que por sorte ainda, era o Sr. Francisco, chamado Chico, que quando da última estada de meu pai por lá - convalescendo da retirada de um câncer, isto trinta anos atrás, jogava biriba e sueca com ele, ajudando-o a passar o tempo,esquecer e continuar a vida, pois não havia outro jeito, senão esperar. Nesse instante lembrei-me de minha mãe e de meu irmãos menores, e da odisseia do meu pai, na sua luta para viver. O Câncer foi mais forte e não hesitou em levá-lo. Naqueles momentos, lembrei-me de algumas viagens e também da narrativa de Fiódor Dostoiésvki, nas suas recordações da Casa dos Mortos. Finalmente pensei e disse comigo mesmo é a vida. Assim é tudo.ajotage/Ago-2009.

sábado, 1 de agosto de 2009

ANTES DO AMANHECER-ANTES DO PÔR DO SOL

Diria simplesmente que os dois filmes protagonizados por Ethan Hawke, americano e Julie Delpy, uma francesa, são simplesmente imperdíveis. O primeiro filme disseca com primordial direção, o acaso de um encontro em um trem vindo de Budapeste e com destino à Paris, de dois jovens de nacionalidades diferentes, que através do diálogo permanente e detalhista, descem em Viena, ele, porque iria descer na estação de trem e repentinamente, convida a moça a descer também, o que ela faz e daí pra frente, o espectador fica quase perplexo com o comovente encontro de duas pessoas, que sem sentirem, estavam apaixonados, mas que teriam que se separar. A direção de Richard Linklater é simplesmente magnífica. A continuação com os mesmos atores, Antes do Pôr-do-Sol, é como se o destino tivesse preparado para tempos depois, o encontro que não aconteceu seis meses após a separação, isto depois de quase dez anos. Aconteceu um fato que os impediu de se reencontrarem, encontro marcado pelos dois, após terem que se separar. Simplesmente o destino fez com que eles se encontrassem novamente, não seis meses após. mais quase dez anos. Foi uma segunda chance para um amor que acontecia, como duas almas que não poderiam se separar. Passam horas juntos em Viena e trocam todo o tipo de palavras, pouco ou quase nada falam em amor - um grande momento do filme não existe - todos os momentos são exigentes, pela sua espiritualidade e genialidade na condução de cada tomada. Brilhante e imperdível para os dois filmes, só faltando a continuação, para sabermos se realmente ficam juntos ou se tudo não passou de uma aventura no coração de dois jovens atraídos um pelo outro e ocasionalmente, o que não indica o desenrolar da segunda película.(ajotagespace)